Reforçando Ovelha - Memórias de Um Pastor Gay || Resenha

Escrito por Miaka J. S. Freitas - segunda-feira, novembro 30, 2015

*Resenha feita para o Arte de Ler, do Isaac. Repostando aqui no blog, pois acho que vale a pena refazer mais uma vez (risos) uma resenha do livro. Polêmico! 

Realmente não tenho palavras para descrever tudo que senti ao ler esse livro. São memórias tão vivas nas folhas desse livro, relatos e emoções que encharcam a tinta das letras impressas, e nem ao menos lemos conhecendo o nome do homem que nos relata tudo. Mas isso não deixa de ser intenso e vivido.

O livro é vivo e faz você embarcar em um misto de lembranças de uma vida que foi, dos desejos de como a vida seria dependendo das escolhas e como seria encarada, observações e interpretações religiosas, as vezes incongruentes mas marcantes e que te levarão em algum momento a parar e respirar, e principalmente pensar o quão eloquente pode ser esse livro.

Ao bater os olhos, muitos pensarão na hipocrisia e heresia com Deus e a religião. Mas eu vos digo, leia. Despida-se antes de de criticar. Conheça antes de julgar. Despida-se de todos seus conceitos e preconceitos, leia e saboreia. Deguste o livro. Não leia apenas para ser cult ou pagar de alguém mente aberta para as mudanças na sociedade. Garanto-te que após a leitura seu conhecimento de mundo será maior, sua observação crítica será melhor e que menos preconceituoso você será. O conteúdo desse livro não é heresia, é apenas lamúrias, desespero e contradições da alma de um ser que nunca se aceitou. Não por empecilho de sua religião, mas por preconceito próprio, que cresceu com rédeas curtas de uma família rígida e até desequilibrada.

Expressando minha mais humilde opinião como leitora e como cidadã, que vejo o mundo como tá hoje em dia e esses discursos de ódio e não aceitação do próximo, digo que infelizmente, muito ali impresso diz as verdades pregadas pela sociedade em qual estou inserida, e que você, meu jovem leitor, também está inserido. Não vou fingir ser cega e negar que vivemos a blasfêmia e a hipocrisia nos dias de hoje, o quanto tem pessoas que julgam, com desculpas de religião ou qualquer outra coisa, e que nem mesmo seguem as doutrinas que pregam para outrem. E se for enumerar as palavras que chamarão esse livro, chamarão a si mesmo e boa parte da sociedade de hipócritas e blasfemadores, pois como disse, só há verdades em que a comunidade tenta manter erguida para se proteger do que acham que é diferente e pecaminoso, e que muitas das vezes julgam e não olham para si. 

Acreditar que é errado e se armar com palavras e nomes santos, pregando o que nem cumprem em sua vida pessoal. Falar que religião o te torna santo é a maior falácia. O que tem de santo do pau oco por aí...

Mas falar de crença é pisar em ovos e gerar polêmica. E de polêmica já temos o título desse livro: "Memórias de um Pastor Gay". A capa imita uma imagem de capa de bíblias de couro, muito usada por vários membros da igreja protestante e católica também. Normalmente a maior ofensa para tais religiões é seu líder espiritual praticar atitudes consideradas pecados, como o homossexualismo. Então trazer a palavra gay acompanhando o substantivo pastor, é uma ofensa e pedir pra ser polêmico na sociedade atual, onde qualquer coisa que você pode comentar, pode ofender meio mundo (infelizmente o mal da era politicamente correta).

Como podem ver, adorei a leitura. Mas ela é incomodadora, pois vai tocar em "feridas" já abertas no dia de hoje. Algo que crescemos escutando que é errado, algo que vemos que fazem algumas pessoas regredirem para a idade média e voltar a querer apedrejar o que acham pecaminoso. O livro trás essas tais críticas para o mundo atual e com passagens de humor ácido, vai temperando o livro. O melhor dessas passagens não é apenas o que a bíblia nos diz sobre algo, mas sim as diversas maneiras que podemos interpretar, sempre puxando pro lado que mais satisfaz nosso egoísmo e que fortalece o que acreditamos como verdade imutável. As vezes enxergamos apenas aquilo que nos convêm! 

E novamente vos digo: Se forem ler o livro para julgar-lhe, prefiro que não o faça! Deixe-o e compre apenas um conto de fadas hétero e que não fira seus preceitos. Mas se o for ler, leia despido de preconceitos e morais, ética aqui não convém, senão você continuará na mesmice em que cresceu sua ignorância. 

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