[Resenha] Eu, Robô - Asimov

Escrito por Miaka J. S. Freitas - segunda-feira, abril 13, 2015

ATENÇÃO! Se gostarem do título, aproveitem que estamos sorteando um kit do Livro Eu, Robô em parceria com a Editora Aleph. Para participarem da promoção, é só clicar aqui!

2015 acabei estabelecendo uma meta inconscientemente: conhecer (e ler) todas as obras de Asimov. Já comecei a conhecer a trilogia Fundação (podendo ver a resenha aqui) e agora li o livro Eu, Robô. E o que dizer de Asimov além de gênio?

A cada livro dele, eu me apaixono ainda mais pelo bom doutor.

Todos sabem que em filmes de Robô, pelo menos a maioria, tem a presença das 3 leis da robótica e para quem não sabe, fora Asimov que, em seus livros, criou as três leis fundamentais da robótica:

1ª lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano venha a ser ferido.
2ª lei: Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
3ª lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.  

O livro é divido em 9 momentos, mas dentre eles você reconhece que há uma história linear sendo contada progressivamente pela protagonista. E a cada momento especifico, gosto de chamar assim, já que cada momento apresenta um robô novo e mais "evoluído" que o anterior.  E mesmo com isso, dá para ir percebendo traços e características humanas em amontoados de fios, engrenagens e metal.

Cada momento trata de uma evolução do robô até o presente narrado pela doutora Susan Calvin ao jornalista. A Drª Calvin conta casos que presenciou e/ou ajudou a resolver deste da época que robôs não falavam (os primeiros modelos) até as maquinas que administram a economia mundial. E além da evolução da robótica, notamos em paralelo a evolução da humanidade, apesar que essa fica mais evidente no 9º momento.

Para não ficar tão confuso para vocês leitores, estarei comentando brevemente cada um dos nove contos.

*Em cada um dos detalhamentos sobre cada conto, pode conter pequenos spoilers. Estou avisando, porque não quero reclamações que eu possa ter estragado a leitura de alguém. Você tem sua própria escolha em seguir em frente e ler, ou comprar seu livro, e deixar a leitura do resto para depois. Sério, não são spoilers grandes, mas é que sempre tem alguém muito fresco nesse sentido, que dizer que tem robôs pensantes já é um spoiler imenso para esse tipo de pessoa. Aviso dado, boa leitura.

- Robbie
O primeiro robô que temos contato, é um dos primeiros modelos de robôs comercialmente produzidos. Os robôs ganham seus nomes de acordo com a série de produção, mas não cabe cair em tantos detalhes assim.

Robbie é um robô que ainda não podia falar, já que esse mecanismo ainda não era tão importante nem tão trabalhado na época. Ele foi produzido para ser babá de criança, e o Robbie em questão, tinha uma dona chamada Glória, uma criança que se apegou tanto ao seu robô, como qualquer criança se apega a um animal de estimação.

O que vale frisar aqui, é os laços que se pode criar com o aparato (chamarei de aparato, como um similar a robô, já que neste livro, Asimov usa a palavra máquina como desígnio para uma outra tecnologia que vou detalhar em breve para vocês). Glória o amava como qualquer criança ama seu irmãozinho, animalzinho ou seu amiguinho. E podemos ver que, mesmo se o Robbie não tem uma consciência avançada para sua tecnologia, não tem um cérebro parecido com o nosso, ele tem lá alguns sentimentos que podem ser transmitidos por gestos. Não é algo que se precisa de palavras para entender.


E nesse conto já vemos também o quanto a humanidade pode temer o desconhecido...

- Andando em Círculos
Esse é um dos momentos do livro que se tornou uma das minhas partes favoritas. Nunca poderia imaginar que um robô pudesse ficar bêbado. E você não leu errado.

O que eu quero destacar nesse momento é que aqui você consegue entender melhor a relação das três leis em um cérebro de robô e o quão forte essa programação pode ser.

Também dá para notar um contraste grande na evolução da tecnologia. Nesse capitulo você tem o contato com o robô Speedy, que fora projetado para trabalhar nas minas de  Mercúrio.

Nesse conto a humanidade se expandiu para a galáxia, e na Terra não se pode mais ter robôs, pelo receio que a sociedade criou contra os robôs, mesmo existindo as três leis para impedir algum mal. Vemos o contraste com antigos robôs, que existem em mercúrio deste da primeira vez que tentaram habitar as minas de Mercúrio, onde a U.S. Robots tentou, em vão, fazer  com que a sociedade aceitassem os robôs, fabricando modelos totalmente servis, em que não poderia fazer nada, se não tivesse um humano montado nele como se fosse um cavalo. Lógico que essa ideia foi um fiasco.

Entram em cena mais dois especialistas o Powell e o Donovan, ambos tem que bater a cabeça para descobrir a razão que o Speedy está agindo confuso, como um bêbado. Vale relembrar a lógica utilizada e sua relação com as 3 leis criadas por Asimov, o que faz esse capitulo ter uma importância impar para mim.

- Razão
Ainda nas minas de Mercúrio, com Powell e Donovan, acontece o outro capitulo que tornou-se favorito para mim. Conhecemos o Cutie. Cutie fora criado para cuidar das Minas de Mercúrio, substituindo posteriormente qualquer humano na estação. Mas ele já é montado com um senso completamente racional, não aceitando as coisas ditas e propostas como reais, sem antes ter uma prova, onde ele chegará por meio de sua razão.
Sim, o robô vai lembrar qualquer filósofo que você estudou um dia na escola, o que deixa o capitulo mais engraçado! E no final, mesmo com modos totalmente ortodoxos, ele acaba sendo eficaz naquilo que foi criado.

Nesse conto vemos o quanto a racionalidade de um robô evoluiu, sendo capaz de questionar e ter outras interpretações até nas próprias 3 leis programadas. E olha que eu nunca imaginei um robô religioso, também!

- É preciso pegar o coelho
Garanto que assim como Powell e Donovan, eu também fiquei muito confusa com toda a história desse capítulo. O robô da vez é Dave, que é como um chefe para outros robôs. Como assim? Bem, ele controla, de uma só vez, outros 6 robôs. Esses 6 robôs, são considerados os dedos de Dave.

Aqui vemos que as mesmas pressões que podem está em cima de uma pessoa a frente de um grupo, também pode afetar o cérebro lógico de um robô em casos específicos. Também se observa a evolução de ter um robô a frente de um trabalho, sem precisar sempre da supervisão de um humano.

- Mentiroso!
Outro conto que me surpreendeu muito, por um minuto me achei enganada e depois descobri que fui enganada duas vezes. Como assim? Só lendo para descobrir, horas!

Temos contato com o primeiro robô leitor de mentes, e com certeza o único do mundo e da história. E mais do que nunca, mesmo parecendo a melhor invenção da humanidade, vemos que as coisas podem ser catastróficas quando ainda se tem a Primeira Lei em vigor.

Devem está se perguntando, como assim ainda se tem a Primeira Lei? Ela deve existir sempre para nos proteger de uma possível ameaça. Digo que nem sempre essas 3 leis podem servir como escudo, e nesse conto mostra uma dessas possibilidades que ela é um tiro pela culatra.

- Um Robozinho sumido
Certo, a partir do conto 3, as coisas começam a te sugar de um jeito que você quer levar o livro até o banho. Essa parte faz com que você tenha curiosidade de pular até o final do capitulo, mas não faça isso. Siga o fluxo da história e brinque de detetive com a Drª Calvin.

Aqui temos um robô perdido e a Drª Calvin deve procurá-lo. Mas porque é tão importante achá-lo? Porque esse robô em questão, diferente de todo um lote que ele se enfiou no meio para brincar de "esconde-esconde" tem a Primeira Lei modificada. Não excluíram a lei completamente, ok? Mas é que dadas as circunstancias, começaram a adaptar os robôs para cada uso. E no final, isso em conjunto com a racionalidade impar que os robôs estão começando a ter deste do Cutie, que ajudaram a Drª Calvin a entender  e descobrir aonde o malandrinho se escondia. Será que você é capaz de descobrir ele também?

-Evasão
Aqui temos contato com o Cérebro, o primeiro aparato que podemos chamar de Máquina. Máquinas são uma "espécie" mais avançada tecnologicamente falando do que os robôs que conhecemos no inicio do livro. O Cérebro aqui tem uma participação maior ainda na evolução tecnológica da humanidade, que é criar a tecnologia para uma nave poder viajar para outras galáxias mais distantes. Lembra da tecnologia de Dobra dar Enterprise, ou o Propulsor de Probabilidade Infinita da Coração de Ouro e o Hiperdrive da Millenium Falcon? Aqui temos o Propulsor Hiperatômico, que tem como tese a mesma função das outras tecnologias fictícias citadas anteriormente.

Aqui a U. S. Robots e sua concorrente estavam numa espécie de Corrida Especial, como na Guerra Fria, para saber quem primeiro conseguia desenvolver tal tecnologia e nave para levar onde nenhum homem jamais esteve.

Mais uma vez não podemos deixar de falar que a Primeira Lei faz seu papel aqui, e em mais uma manifestação possível.

- Evidência
Esse é um dos que eu mais gosto também, até porque ele termina meio que deixando todas as duvidas do inicio no ar. E alimenta a teoria que alguns membros da sociedade teve deste da época de um simples Robbie. Talvez seja um único capitulo sem que tenhamos um robô, ou temos.... Eu mesma ainda não me decidi.

As 3 leis aqui podem ganhar uma variação ainda maior que em todos os outros capítulos e mostra um futuro bem provável e é um prenuncio de como estaria o presente em que essa viagem ao passado está sendo contado.

- O conflito inevitável
Esse não é o fim da história, mas pode ser o fim dos robôs, já que a humanidade já está na Era das Máquinas. É um novo começo e é inevitável, como o próprio nome sugere. A lógica embutida e utilizada por cada máquina no governo é de encher os olhos de qualquer aficionado por robótica e Sci-fi. E isso mostra que ainda tem muito a se fazer e evoluir, Eu, Robô não termina aqui.

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Enfim, dá para perceber que a cada momento que a Drª Calvin separa, é um momento crucial que marca a evolução em mais um passo quando se trata da robótica. E que a cada momento, o ser humano procura humanizar ainda mais sua criação. Será talvez que o humano quer dá uma de deus, e criar novamente um ser em sua imagem e semelhança?


 E com esse questionamento, convido para que fiquem de olho no canal Insônia Nerd, que estarei fazendo em breve um paralelo dos filmes "O Homem Bicentenário", "Eu,Robô" e o livro de Asimov. Para receber as notificações, é só se inscrever no canal, até lá, podem ver os vídeos já postados e toda semana, tem vídeo novo esperando por vocês! 

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6 recados

  1. Olá, eu amo filmes com robôs. E adoro o filme Eu, Robô, em especial. Também curto Substitutos, A.I inteligencia Artificial, entre outros. Quanto a este livro, eu ameiii esta capa. E estou com muita vontade de ler estes contos. (Tanto que estou participando da promoção, rs). Tenho muita vontade de ler os livros de Asimov, estou com alguns aqui na lista, espero poder começar em breve. Adorei a resenha.

    beijinhos...

    www.livrosfilmeseencantos.blogspot.com.br

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  2. Li e amei,queria um robõ como Dave pra mim. hehehehehhe Fiquei interessada na leitura, pela resenha lida.bjão

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  3. Mulher, me pareceu um livro bem complexo pela sua resenha, um livro cheio de detalhes, com uma história e tanto.Amei a resenha, muito bem feita, só me fez ficar mais curiosa para ler o livro, porque a capa e a sinopse dele eu já conhecia do site da editora e os dois me despertaram muita curiosidade.

    Quando eu conseguir ler te conto o que achei.

    bjs

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  4. Essa edição está linda né? Muito bonita mas ainda não estou animada para ler esse livro, pois não faz meu gênero de leitura, estou esperando o momento certo. adorei a resenha bem explicado :)

    Bjuus!
    http://livrosseriesecitacoes.blogspot.com

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  5. Eu, Robô é minha leitura atual e estou gostando muito; é o primeiro livro que leio do Asimov e estou curtindo tanto a coisa toda do sci-fi, como também a junção do aspecto humano, que aparece associado aos robôs em cada um dos contos. Outro detalhe que estou gostando é a presença de uma pontinha de humor nos desfechos dos contos. Enfim, do autor também já tenho na minha estante a Trilogia da Fundação, e espero lê-la logo mais. ^^

    Beijos, Livro Lab

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  6. Esse livro tá na minha lista, mas ainda não o adquiri. Gostei muito dessa capa do seu, talvez eu compre um igual. :D

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